Como Conservar

Idealmente, a conservação das espécies deveria ser consequência da preservação dos seus ecossistemas naturais, a isso chama-se conservação in situ. Contudo, muitas vezes, a conservação in situ de espécies em vias de extinção é bastante difícil, ou mesmo impossível, devido à progressiva destruição e fragmentação dos habitats, à captura e caça de indivíduos das espécies em questão, à poluição e à introdução de espécies exóticas que afectam negativamente as espécies autóctones. Por estas razões, o que se faz para conservar as espécies é associar acções de conservação in situ a acções de conservação ex situ (fora do habitat natural das espécies, como por exemplo nos parques zoológicos). Se assim não for feito, corre-se o risco de extinção das espécies.

A «International Union for the Conservation of Nature» (IUCN), que orienta os esforços dos parques zoológicos com maior importância a nível mundial, tem como objectivo «influenciar, encorajar e ajudar as sociedades existentes por todo o Mundo, a conservar a integridade e a diversidade da Natureza e a assegurar que qualquer uso dos recursos naturais seja equitativo e ecologicamente sustentável».

Conservação In Situ

A conservação in situ passa, em primeiro lugar, pela preservação dos habitats naturais das espécies e, consequentemente, pela fundação e gestão de parques ou reservas naturais. A reintrodução de espécies que desapareceram do seu habitat natural é também um dos procedimentos postos em prática, quando as ameaças que levaram à extinção da espécie em questão já não estiverem presentes.
Deste modo, a «World Association of Zoos and Aquaria» (WAZA) procura envolver o maior número de parques zoológicos na preservação dos habitats e a fazer deles elementos-chave nas organizações não governamentais (exemplo: EAZA) para a conservação. Em Portugal e Espanha temos o exemplo da constituição de uma «Associação Ibérica de Zoos e Aquários» (AIZA).

Neste contexto, o Badoca Safari Park é também membro da Associação Europeia para o Estudo e Conservação dos Lémures (AEECL). A AEECL é um consórcio formado pela European Zoological Gardens and Universities, que uniu esforços com vista a levar a cabo a conservação e a execução de projectos de investigação de diferentes espécies de Lémures, primatas endémicos de Madagáscar e que estão em vias de extinção devido à destruição do seu habitat e à caça para consumo humano.

Através da AEECL apoiamos financeiramente o esforço na conservação do património natural de Madagáscar. Este ano, uma das principais conquistas foi o estabelecimento de um novo parque natural “Parc National de Sahamalaza-Iles Radama”. Um outro objectivo desta associação é o estabelecimento de áreas protegidas em zonas chave de Madagáscar, sendo muito provável que, nos próximos 5 anos, 10% de Madagáscar seja área protegida.

Conservação Ex Situ

Muitas vezes a conservação in situ de espécies em vias de extinção é difícil ou mesmo impossível devido à destruição massiva dos habitats ou à caça, entre outras razões, e por isso surge como de vital importância a conservação ex situ, ou seja fora do habitat natural das espécies, como acontece no Badoca Safari Park.

A conservação ex situ é realizada através da participação em programas de reprodução em cativeiro, graças aos quais é possível: conservar espécies ameaçadas, diversificar geneticamente as populações em cativeiro e posteriormente reintroduzi-las no seu habitat. Na Europa, estas acções denominam-se «European Endangered Species Program» (EEP) e são coordenadas pela «European Association of Zoos and Aquaria» (EAZA).

No Badoca Safari Park temos algumas espécies abrangidas por este programa (EEP), nomeadamente as Girafas e os Órix Cimitarra.
O órix é um antílope robusto de origem africana. Na Badoca vive uma manada com seis indivíduos. Esta é uma espécie em elevado risco de extinção. Os seus congéneres selvagens foram já extintos do seu habitat natural nos anos 50/60. Com um grande esforço de toda a comunidade zoológica mundial, estes animais foram reintroduzidos a partir de 1985 em dois parques naturais na Tunísia, parte da sua área geográfica original. Isto foi possível graças a uma eficiente gestão da reprodução da população de órixes em cativeiro.

Conseguiu-se um grupo geneticamente viável para reintrodução na natureza e recursos financeiros que possibilitaram a viabilidade deste projecto. Actualmente no estado selvagem existem cerca de 100 indivíduos.
Temos ainda algumas outras espécies de animais (Sitatungas, Lémures de barriga vermelha, Kudus, Gnus de cauda branca e Búfalos do Congo) que não sendo abrangidos por um EEP, são registados num studbook devido ao baixo número de indivíduos em estado selvagem que necessita de ser controlado para verificar a evolução da respectiva população.

O que fazer?

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